Domingo, Novembro 08, 2009

Tabu


O mistério, o proíbido e o oculto são características que atraem a atenção das pessoas a certos temas da arte, dos Média e da sociedade. A casa nocturna com luz vermelha no seu interior a ver-se entre as cortinas é o local que aguça mais a curiosidade sobre o que se passa por trás das cortinas do que o café com a montra de vidro, onde os clientes sentados à mesa, a confraternizar em estilo de tertúlia, se exibem sem vergonha a qualquer transeunte, acabando por passar despercebidos, mesmo perante os voyeurs mais atentos. O conceito de Tabu encontra-se bem definido, como por exemplo nesta página.
Cavaco Silva relançou a palavra Tabu na sociedade Portuguesa, desvirtuando o seu significado e destruindo o seu carácter nos assuntos por ele apontados como tal. Isto parece paradoxal e desconexo, mas posso dizer por outras palavras que Cavaco Silva, ao expor temas como sendo Tabu, abre portas nas paredes que antes separavam esses temas do cidadão comum, coloca um segurança e uma cortina espessa em cada porta e acende uma luz vermelha no cerne da questão. A diferença entre o assunto Tabu e o não Tabu encontra-se no nível de abertura de debate entre os membros da sociedade que o gera. O Tabu não se discute, mas encontra-se exposto como uma foto de mulher nua num cartaz numa auto-estrada suburbana em hora de ponta. O Tabu não se discute no café, no metro ou no quiosque, mas toda a gente o conhece e desenvolve uma opinião sobre ele. O Tabu é uma ferida exposta a todos sobre a qual ninguém fala.
Nos EUA, as questões raciais, religiosas, sexuais e políticas são Tabu, mas são lapidares nas escolhas de vida do comum cidadão Americano. Na China e no PCP, o Tibete, os Direitos Humanos, a Democracia e a Desigualdade Social são assuntos Tabu. Em Portugal, a Corrupção, os Esquemas de Cunhas e as Oligarquias Sociais são assuntos Tabu. Sobre os assuntos Tabu toda a gente tem uma opinião que cresce torta e assimétrica, que se desenvolve e solidifica como o granito, pesado e duro de partir. São opiniões que não vêem a luz do dia, que ganham bicho, muita humidade e emanam um cheiro bafiento. Opiniões que caminham livres nas artérias da sociedade sem que ninguém as questione ou ponha em causa. A ausência de abertura de debate relativamente ao que é caracterizado de Tabu aumenta a irracionalidade das sociedades em muitas das suas escolhas e pode gerar estados de Loucura Social, onde práticas de intolerância e violência podem acontecer com impunidade e injustiça.
Quebrar os Tabus é essencial para uma sociedade alcançar um estatuto de maior igualdade, justiça e tolerância. Muitos artistas da actualidade exprimem-se quebrando Tabus. Sem qualquer ordem de cronologia ou nacionalidade, Dan Goldman, John Ernest Joseph Bellocq, George Platt Lynes, Jeff Koons, Sally Mann, Maurizio Cattelan e Ron Mueck são alguns dos mais badalados artistas que muito têm abalado a sociedade a quebrar Tabus.
Muita coragem é necessária para afrontar seriamente os Tabus. No entanto, reconheço que hoje em dia se criem falsos Tabus no mundo da arte como resultado da inércia provocada por estes movimentos. Por exemplo, neste blog já se escreveu sobre a recente obra do artista Chen Wenling relativamente a Madoff, o bode expiatório da crise financeira. Chen Wenling teria tomate de boi se fizesse uma obra sobre o seu País Natal, onde os estádios olímpicos foram construídos com mão de obra infantil escrava, onde existe ausência de Democracia e um enorme nível de desigualdade social.
Atacar os Tabus dos outros é fácil.
Apontar os defeitos dos outros é fácil.
Difícil é olharmo-nos ao espelho e fazer o retrato dos nossos horrores e fantasmas.
A verdadeira sociedade moderna é aquela que não tem qualquer medo, muito menos o medo de se olhar ao espelho tal qual como é porque somente assim pode resolver os seus defeitos e avançar para um Estado de maior progresso social.
Não é com maquilhagens de modernidade que o mundo se moderniza.

Sábado, Novembro 07, 2009

Uma frase para o fim de semana


El grito de su canto pone un acento circunflejo sobre el corazón de los que le han oído.

Em
Diálogo del Amargo; Poema del cante jondo
por Federico Garcia Lorca

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

A ler depois do Saramago


Li dois capítulos deste livro e adorei o modo como diversos factores que originaram o pós-modernismo e mesmo o próprio pós-modernismo são expostos, debatidos, confrontados e postos em causa no contexto do acto da auto-representação humana. Depois de acabar o Caim vou chafurdar neste livro da minha já mui amada Gen Doy.

Aqui também se gosta de música simplesmente

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Aqui gosta-se de vídeos de música

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Grandes Frases


Everything has happened in us because we are ourselves, always ourselves, and never one minute the same
Diderot, Réfutation d'Helvétius

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Aqui gosta-se de Godard e do Amor



Na realidade sinto falta de ambos. A ver se alugo um filme dele um destes dias.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Your Culture, My Culture


Anthropologists recognize two types of cultures in the early times of mankind: i) anthropomorphic, which are the dominant cultures nowadays, like the US culture, and ii) anthropophagic, which only exist today as minorities living in remote and isolated territories and believe in the absorption of the greatness of their ancestors by literally eating them after their death. In opposition, the origin of anthropomorphic cultures are thought to remount to the first human that laid a flower over a dead relative and are characterized by the construction of physical forms to eternalize the life and memory of the ancestors, like portraits for example, among other human built pieces with the meaning of maintaining ancestors alive. The individuals that were able to create sublime works that represented the greatness of ancestors with popular renown were probably the first artists. The way a society looks at its History and the heritage that it received from ancestors are the foundations of a culture’s identity. Due to the condition of human mortality and consequent regeneration of societies with the birth of new generations, culture is not a stagnant concept and its way of manifestation is always in constant mutation. Culture can be the complex identity of a society and many cultures can exist within a culture as societies exist within a society. Communication among individuals must exist to voluntarily or unconsciously perpetuate and develop the culture and its function in defining identity. Portraits play a strong role in the development of individual identities by defining popular traits and symbolisms of likeness and also as documents of the evolution of cultures throughout History.
Freud defined technology as a pivotal component in the developmental mutations of cultures while stating that culture was born when men decided to take fire home instead of pissing on it: use versus fear. Technological changes can define many of the major changes in cultures, both towards extinction or survival. Today we live in a globalized world, where languages mingle within the scaffold of an easily mutated English language. Language is the purest anthropomorphic phenomena and is the basis of human thought. More complex Internet, satellite television, cinema and marketing support the spreading of an English spoken globalization. However, the constant mutational state of culture is changing all these components of globalization as new cultures join the caravan. New York City (NYC) can be considered the new Rome of the globalization empire; where over 170 languages and much more corresponding cultures exist from the tip of Manhattan to the extreme point of Long Island coexisting in mutual assimilation. Foreign cultures in the US are always assimilated into the American homogeneity and separated from their origins. Is NYC a sample of the world at a smaller scale, the new Babel? I don’t think so. Mandarin speakers from NYC, San Francisco, Paris and Beijing belong to four separate cultures that have different interactions with the native cultures of the space they physically occupy, even if their origins are the same. Acculturation and cultural assimilation phenomena occur at a level of complexity probably similar to the way synapses and information are processed in the human brain. Probably globalization is taking humanity towards a new Babel. Probably humanity is once again being liberated from one of the strongest divine punishments.

Vou estar...

...ausente por duas semanas. Go on and I'll catch you later.